Racismo e questão agrária
a seletividade racial da repressão no campo
DOI:
https://doi.org/10.57077/monumenta.v13i13.352Palavras-chave:
Conflitos agrários, Criminalização, Violência estatalResumo
A luta pela terra no Brasil é um fenômeno histórico atravessado por relações de poder, dominação e racialização. Este artigo parte da hipótese de que a repressão aos movimentos de luta pela terra possui fundamentos racistas que remontam ao período colonial, especialmente às experiências de resistência protagonizadas pelas populações negra, indígena e camponesa, sobretudo os processos construídos sob a resistência quilombola. A partir de uma perspectiva teórico-crítica, com abordagem indutiva e uso de técnica de pesquisa bibliográfica e análise documental, o trabalho analisa como o sistema penal, através do aparato político-midiático e de uma ideologia estigmatizante do sujeito considerado invasor, operam de forma articulada na criminalização de resistências populares no âmbito rural. Com base em dados coletados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), demonstra-se que a violência agrária no Brasil não é episódica, mas fruto de uma estrutura essencialmente racista, classista e seletiva, incidindo de maneira desproporcional sobre sujeitos historicamente subalternizados. Ao estabelecer uma continuidade entre as formas históricas e contemporâneas de opressão e resistência, o artigo evidencia o papel do racismo como elemento constitutivo das relações estabelecidas no âmbito da luta pela terra no Brasil, asseverando a necessidade de compreender a criminalização da questão agrária como estratégias de manutenção do status quo, também racial.