Racismo e questão agrária

a seletividade racial da repressão no campo

Autores

  • Felipe de Araújo Chersoni Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
  • Ana Karina Licodiedoff Baethgen Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Fernanda da Silva Lima PUC-Campinas

DOI:

https://doi.org/10.57077/monumenta.v13i13.352

Palavras-chave:

Conflitos agrários, Criminalização, Violência estatal

Resumo

A luta pela terra no Brasil é um fenômeno histórico atravessado por relações de poder, dominação e racialização. Este artigo parte da hipótese de que a repressão aos movimentos de luta pela terra possui fundamentos racistas que remontam ao período colonial, especialmente às experiências de resistência protagonizadas pelas populações negra, indígena e camponesa, sobretudo os processos construídos sob a resistência quilombola. A partir de uma perspectiva teórico-crítica, com abordagem indutiva e uso de técnica de pesquisa bibliográfica e análise documental, o trabalho analisa como o sistema penal, através do aparato político-midiático e de uma ideologia estigmatizante do sujeito considerado invasor, operam de forma articulada na criminalização de resistências populares no âmbito rural. Com base em dados coletados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), demonstra-se que a violência agrária no Brasil não é episódica, mas fruto de uma estrutura essencialmente racista, classista e seletiva, incidindo de maneira desproporcional sobre sujeitos historicamente subalternizados. Ao estabelecer uma continuidade entre as formas históricas e contemporâneas de opressão e resistência, o artigo evidencia o papel do racismo como elemento constitutivo das relações estabelecidas no âmbito da luta pela terra no Brasil, asseverando a necessidade de compreender a criminalização da questão agrária como estratégias de manutenção do status quo, também racial.

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Biografia do Autor

Felipe de Araújo Chersoni, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Doutorando em Ciências Criminais pela Escola de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), bolsista integral PROSUC-CAPES, com período de doutorado-sanduíche na Universidade de Barcelona (Espanha).

Ana Karina Licodiedoff Baethgen, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Política Social e Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPG-PSSS/UFRGS). Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Fernanda da Silva Lima, PUC-Campinas

Doutora e Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Bacharel em direito pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Professora Permanente no Programa de Pós-Graduação em Direito da PUC-Campinas (Mestrado em Direito).

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Publicado

2026-04-24

Como Citar

Chersoni, F. de A., Baethgen, A. K. L., & Lima, F. da S. (2026). Racismo e questão agrária: a seletividade racial da repressão no campo. Monumenta - Revista Científica Multidisciplinar, 13(13), 352 . https://doi.org/10.57077/monumenta.v13i13.352

Edição

Seção

Artigos